Um grupo de pesquisadores está realizando um mapeamento inédito da Bacia do Rio Araguaia, utilizando um extraordinário 'barco hotel' para navegar e estudar a região. No início de fevereiro, 35 cientistas começaram a avaliação da vegetação aquática e a qualidade dos lagos, com o intuito de contribuir para a preservação ambiental da bacia hidrográfica. De acordo com o coordenador do projeto, Ludgero Cardoso, as informações obtidas podem ser fundamentais para que o poder público atue na conservação deste importante ecossistema.
Com três andares, a embarcação percorre impressionantes 3.500 quilômetros. Os pesquisadores fazem revezamento, mas alguns, como os que trabalham em metodologias mais complexas, ficam quase um mês a bordo, aprofundando suas análises. A expedição anual, parte do grupo Aliança Tropical de Pesquisa da Água, conta com a participação de mais de 200 pesquisadores do Brasil e da Austrália, mostrando a relevância internacional desta iniciativa.
Ao longo das pesquisas, foi detectado um aumento preocupante na concentração de mercúrio nos peixes. O especialista Lucas Tabeira Monteiro revelou que o desmatamento e a conversão de áreas naturais em cultivos são fatores críticos que contribuem para o transporte do mercúrio para o fundo dos lagos. Além disso, foi identificado que em algumas amostras a proporção de metilmercúrio chega a 22%, um dado alarmante que destaca a urgência dos estudos na região. As pesquisas continuam e os cientistas esperam ampliar o conhecimento sobre a vegetação ainda pouco estudada da Bacia do Rio Araguaia.