Quilombola Tocantinense Representa População na COP28 em Dubai para Debater Impactos Climáticos

Maryellen Crisóstomo, quilombola do território Baião, Almas - TO, marca sua segunda participação na Conferência das Partes (COP), representando a população quilombola do Brasil na COP28, em Dubai, Emirados Árabes Unidos.

Quilombola Tocantinense Representa População na COP28 em Dubai para Debater Impactos Climáticos
Divulgação

A Cúpula do Clima da ONU reúne 197 países, onde Maryellen, Coordenadora Executiva da Coordenação Estadual das Comunidades Quilombolas do Tocantins (COEQTO), enfatiza a importância da presença da sociedade civil organizada para garantir a visibilidade das comunidades afetadas pelas mudanças climáticas.

A quilombola participará como debatedora no painel "Nada sobre nós, sem nós: perspectivas de Mulheres Negras sobre raça, gênero e território na elaboração das políticas de ação climática com justiça racial e socioambiental" no palco 2 do Hub Brasil, em 03/12.

Maryellen, também jornalista e residente em Dianópolis, foi pioneira ao representar o Tocantins na COP e já marcou presença na COP27 no Egito em 2022.

O recente censo do IBGE revelou pela primeira vez a demografia da população quilombola brasileira, totalizando 1.327.802 pessoas distribuídas em 1.694 municípios e 24 Estados. No Tocantins, o censo destaca 12 mil pessoas quilombolas, com apenas um quilombo titulado e 47 aguardando titulação.

Maryellen Crisóstomo destaca a importância da COP28 no aprofundamento do debate sobre mitigação e compensação de danos, mas ressalta a preocupação com a ausência da diversidade de povos e vozes nessas negociações. Ela sublinha que territórios quilombolas estão nas zonas de sacrifício devido à implementação da agenda de mitigação. A falta de avanço do governo brasileiro na regularização fundiária contribui para a vulnerabilidade dos quilombos, caracterizando o que é chamado de "Racismo Ambiental". Atualmente, 1.800 quilombos aguardam na fila do INCRA pela titulação.